E eu que nem notava quando ela passava por mim,
Enquanto eu escrevia minhas teorias
Ela cruzava a minha vida
E isso acontecia sempre assim...
E quando menos percebi ela estava em minha sala
Com os cabelos soltos e deitada sobre meu sofá,
Nunca pensei que um dia ela estaria enrolada em meu velho cobertor;
Esperando eu fazer as pipocas e então assistirmos aquele filme de amor.
E de repente eu me vi ali a observa-la,
Como se aquela fosse a última vez que a viria.
Observando-a e me perguntando quem era ela
Alguém que eu mal conhecia e que agora era a dona da minha vida.
Mais uma vez o tempo me aprisionou em minha própria angústia,
A angústia de não saber o que estava sentindo naquele momento,
O destino me atormentava por me dar tantas possibilidades;
E a insegurança me levava ao mais longe das certezas.
Hoje a solidão é meu reino
Onde tenho toda a segurança que antes não tinha,
Longe das possibilidades que ela me trazia;
Sou eu agora quem controla de novo o meu destino.
A minha felicidade não depende mais de ninguém,
Sou novamente o dono de minhas ações;
Mas o cobertor jogado no canto do sofá revela boas lembranças de alguém
Que dizia ser a rainha do meu reino de paixões.
E quando o frio revela sua fase,
O velho cobertor é meu refúgio
E com ele vem o perfume dela;
A sala é o limite do universo de ilusões que criei para ela.
O passado se tornou a mais cruel das companhias,
E adormeço sem mais aquele frágil corpo junto a mim;
Que me protegia de todos os males das noites frias,
Agora eu me defendo com inúmeras taças de vinho ruim.
Onde estão as certezas que temperavam minha mente?
Já não sei se ela tinha tantos defeitos,
Vejo tantas dúvidas como antes, a me assombrarem novamente;
A liberdade pela qual lutei não mais alimenta meus desejos.
Um dia, tudo que eu achava certo
Tornou-se a certeza da dúvida,
E ela veio como um vendaval que cobria de poeira minha estrada;
E então, meu vi andando sem saber por onde...
Sendo guiado pela insegurança de um amor perfeito,
Sem o futuro, me tornei seu mais fiel servo.
Inocente criatura que invadiu minha escura sala
E ocupou o vazio de minha alma.
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